Queremos Conselhos de verdade!!!!!

Annibal Ribeiro Lima

Chegamos ao final de 2014 com uma sensação mista em relação à Governança Corporativa no Brasil, se por um lado conquistamos espaço não só através de um trabalho intenso do IBGC, mas principalmente por experiências bem sucedidas na prática de muitas empresas, por outro lado, observamos situações em que a Governança Corporativa teve seus conceitos e pilares sendo absolutamente destroçados.

São, infelizmente, os casos onde a Governança Corporativa sofreu seus maiores golpes em 2014, aqueles que chamaram mais a atenção e, tentando não ser repetitivo mas, falando mais uma vez do caso Petrobras, deixando um pouco de lado as barbaridades ligadas ao lado financeiro e da corrupção, e fazendo referência específica  à questão da postura do Conselho e dos conselheiros que estiveram na função durante todo o período em que ocorreram tais barbaridades, é que constatamos desanimados a atuação deste órgão, que é o coração da Governança Corporativa.

Fico estarrecido com declarações recentes dadas aos canais de mídia por integrantes do Conselho da companhia, se isentando de qualquer responsabilidade e considerando erro absurdo o fato de terem sido incluídos nos processos abertos contra a companhia nos EUA. Não que eu esteja aqui, supondo ou sugerindo que tenha havido participação direta destes conselheiros nos conluios, mas certamente houve no mínimo, um comprometimento e uma diligência que ficaram bem aquém do que se espera da função de um conselheiro.

É absurdo sim, achar que o Conselho e seus membros não têm nada a ver com o ocorrido. Talvez, não se espere por parte do Conselho, uma participação no dia a dia da empresa, mas se espera com certeza que, através de sua estrutura, que inclui instrumentos de controle, tais como os comitês (principalmente o de Auditoria e as auditorias interna e externa, sob sua tutela e a seu dispor), os acontecimentos nefastos (e diga-se de passagem, sabemos apenas de parte deles), fossem percebidos, controlados, evitados e extirpados.

O enfoque que coloco, sai um pouco dos problemas ocorridos e se atém à postura do Conselho perante à situação, já que os acionistas e os demais stakeholders, acreditam que o Conselho está lá para entre outras coisas, controlar a companhia.

O que entristece portanto, é mais do que a péssima Governança na Petrobras, companhia de capital misto e complexo, é sim uma composição de Conselho, formada por membros (alguns muitos….) que não têm a menor consciência e preparação para exercer esta função. E o pior, é que não estamos falando no caso, apenas dos ligados ao governo, mas também de alguns nomeados como independentes, empresários ou figuras de sucesso, que precisam se preparar bem melhor se pretendem continuar desempenhando esta função, seja nesta ou em qualquer outra companhia.

É importante a preparação e o conhecimento para exercício da função de Conselheiro, não basta apenas ter nome, título, ou pior, ser “pau mandado” do acionista que elege, tem que haver comprometimento e diligência com a companhia. Enquanto as composições dos Conselhos continuarem privilegiando membros sem as devidas competências para a função, continuaremos patinando na evolução da Governança Corporativa.

Nada porém, que nos iniba em continuar acreditando e batalhando para que a Governança Corporativa seja mais do que apenas uma “jogada cosmética” como é tratada por muitos, para ser sim, uma forma eficiente de gestão corporativa que maximiza o valor sustentável da companhia, preservando as partes envolvidas.

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