Santé

Menu Close

Dia 16 de outubro comemora-se o Dia Mundial da Alimentação. Mas, afinal, há o que comemorar?

Sem entrar no mérito dos índices alarmantes de sobrepeso e obesidade em adultos e crianças no mundo todo, temos também que nos preocupar – e muito! – com o aumento da incidência de transtornos alimentares, como anorexia nervosa, bulimia nervosa, e outros. São os extremos da alimentação inadequada, que continuarão batendo seus recordes, principalmente se nós continuarmos insistindo no erro de buscar soluções nutricionais para questões culturais. Ou seja, o problema é muito mais embaixo.

A cultura atual da abundância, praticidade, rapidez, consumismo, e de querer levar vantagem em diversas situações, tem consequências não só na fatura do seu cartão de crédito, mas principalmente no seu carrinho de supermercado e na forma como você come. Eis alguns exemplos:

  • Quero comprar a maior quantidade possível pelo menor preço, então opto pela embalagem família, mesmo que eu seja sozinho. Ou ainda, se a lata de refrigerante custa quase o mesmo que uma garrafa de 2 litros, obviamente comprarei a que vem mais (e acabarei bebendo muito mais também).
  • Quero fazer valer o meu dinheiro, então me forço a repetir o prato várias vezes no rodízio de carnes, pizza ou japonês, mesmo que já esteja com a barriga estourando de tanto comer. Ou a limpar o prato no restaurante por quilo, mesmo já estando satisfeito, afinal já paguei pela comida.
  • Quero economizar tempo na cozinha, então coloco uma lasanha congelada no micro-ondas enquanto tomo banho, e ainda nem preciso lavar a louça. Ou faço um macarrão que ao invés de 10 minutos, fica pronto em 3.
  • Coloco na lancheira do meu filho uma caixinha estampada com um personagem qualquer, com um líquido colorido com aroma artificial de alguma fruta, e penso que estou oferecendo suco. Mas a embalagem diz que tem vitaminas! Afinal, dá muito trabalho fazer uma limonada.

Sejamos honestos: pelo menos 1 dos itens acima se encaixa com a maioria de nós. São exemplos simples de como alguns hábitos alimentares são tão arraigados e automáticos, que nem nos damos conta. Quando falo em hábitos alimentares, não me refiro exatamente à hábitos nutricionais. Em nenhum momento citei calorias, gorduras ou carboidratos, mas comportamentos que levam a consumo exagerado ou inadequado de nutrientes como consequência. Portanto, se insistirmos no tratamento das consequências dos comportamentos alimentares, continuaremos insistindo no erro, afinal o objetivo de qualquer tratamento é cortar o mal pela raiz, certo? É mais fácil colocar a culpa na indústria de alimentos, nas redes de fast food ou na propaganda, porém ninguém é obrigado a comprar nada, a consumir nada e a assistir a nenhum comercial se não quiser.

Porém, é difícil resistir às tentações das ofertas, pensar que nem sempre comer bem significa comer mais, e acreditar que é possível preparar uma refeição adequada sem gastar muito tempo. Por conta disso, somos bombardeados diariamente com produtos inovadores, receitas recauchutadas, alimentos milagrosos e dietas mirabolantes. Só que junto com a promessa da alimentação saudável, eles trazem embutidos a promessa de resolver o problema da sua vida e o entrave à sua felicidade: o seu peso. Esteja você abaixo ou acima do peso que deseja, muito provavelmente você não está satisfeito com ele. E isso sim a indústria de alimentos, cosméticos, medicamentos, cirurgia plástica, revistas, profissionais da saúde – inclusive os nutricionistas – já descobriram.

No mês de outubro farei uma série de posts sobre o Dia da Mundial da Alimentação e a sua relação com a cultura da abundância, praticidade e consumismo, e o que isso tem a ver com a sua insatisfação com o peso. E tentar convencê-lo de que isso não é um problema nutricional, e que portanto não adianta fazer dieta.

Reguladores – de que?

Existem diversas classificações, divisões e agrupamentos para caracterizar os alimentos, de acordo com as funções que exercem no organismo e sua composição nutricional. Aqui vamos falar um pouco sobre algumas delas, começando pela classificação mais simples: alimentos Energéticos, Construtores e Reguladores.

No grupo dos Reguladores estão basicamente: frutas, verduras, legumes e cogumelos. O ideal é que o consumo diário de alimentos deste grupo seja de no mínimo 5 porções por dia, a fim de:

  • Garantir o aporte adequado de fibras alimentares, para regular o funcionamento intestinal
  • Fornecer vitaminas, minerais, antioxidantes e compostos bioativos que regulam diversas funções no organismo, como imunidade, metabolismo, rendimento nos exercícios, concentração, saúde óssea, até o humor, dentre outras.

Até aí tudo bem, sempre ouvimos desde criança que é preciso comer frutas e legumes, mas nisso surgem algumas questões: Batata é legume? Posso considerar os sucos como frutas? E os sucos de caixinha? Vamos por partes.

1. Batata é legume?

Não do ponto de vista nutricional. Batata, batata-doce, mandioca, mandioquinha, inhame e milho são boas fontes de amido, assim como o arroz, o pão e as massas, e portanto não são Reguladores, mas Energéticos (vamos falar sobre eles em outro post). Se você acha que come muitos legumes quando come batata, vaca atolada, purê de mandioquinha, creme de milho e faz a sopa com inhame, está enganado.

Complicou? Para facilitar, pense que os legumes em geral são coloridos: laranja (cenoura, abóbora), vermelho (tomate, pimentão), roxo (beterraba, berinjela, rabanete), verde (chuchu, abobrinha, brócolis, quiabo, alcachofra, vagem, pepino, aspargos), ou até brancos (couve-flor, nabo, erva-doce, cebola).

 2. E os sucos de fruta?

Somente os sucos naturais frescos e os de polpa congelada contam como frutas, pois preservam as vitaminas e minerais, e não devem ser coados, para preservar também as fibras da casca e do bagaço. No entanto, somente 1 copo de 150 ml de suco natural poderia substituir 1 fruta do seu dia, mais do que isso já não é mais considerado, pois os sucos de fruta são mais ricos em açúcar do que as frutas inteiras, e portanto mais calóricos.

Já os sucos de caixinha ou em pó não são considerados como frutas, pois no processamento perdem boa parte das vitaminas e minerais, e não possuem nenhuma fibra. Dê uma olhada na informação nutricional do produto, e você verá que o teor de fibras é zero, mesmo quando o fabricante coloca os “gominhos”. Este tipo de suco também pode ser considerado um Energético, e não um Regulador, devido ao alto teor de açúcar, seja natural da fruta, seja adicionado.

Eu sempre oriento que o melhor suco para se beber é o natural da fruta (mas veja que 1 copo maior que 150 ml passa a ser um excesso), ou então o de polpa congelada. Dá mais trabalho do que abrir a caixinha ou dissolver o pó? Sim, mas invista alguns minutos a mais na sua saúde, e o seu corpo agradecerá. Ou se a preguiça bater mesmo, melhor beber água do que sucos industrializados. Isso vale para a sua casa, para o seu filho na escola e para o almoço no trabalho.

5 ao dia / 5 a day

O 5 ao Dia é um programa nascido no Reino Unido, para promover o consumo diário de 5 porções de alimentos reguladores. Foi uma forma que o governo encontrou de colocar em prática a recomendação da Organização Mundial da Saúde de que todos devem consumir diariamente 400 g de frutas, legumes e verduras, o que poderia prevenir a obesidade, doenças cardíacas e até alguns tipos de câncer. Falarei mais sobre isso em outro post, mas você pode consultar informações sobre o assunto aqui (em inglês) ou aqui (em português), inclusive com ideias de receitas para variar o cardápio.

Os alimentos Reguladores são fundamentais para a nossa saúde, portanto se você não gosta de salada ou não tem o hábito de comer frutas, está na hora de pensar em algumas mudanças.

Comida para dar risada

390363_10100238258395197_5603411_n

Imagine o quanto rimos ao ver este macarrão à venda na vitrine. Mais ainda quando vimos o Warning.