Inês do Amaral Büschell

Promotora de Justiça paulista, aposentada. Associada fundadora do MPD – Movimento do Ministério Público Democrático. Sócia-honorária do IBAP.


inesbuschel

“Há pouco mais de 20 anos, inspiradas no movimento denominado MEDEL – Magistrados Europeus pela Democracia e Liberdades, iniciativas semelhantes surgiram no Brasil, tais como a AJD – Juízes para a Democracia, MPD – Movimento do Ministério Público Democrático e o IBAP – Instituto Brasileiro de Advocacia Pública. Era o início da década de 90 e havia muita esperança na recente Constituição Federal. Fiz parte da fundação do MPD em 1991 e fui sua Coordenadora-Geral nas gestões de 1994, 1999 e 2000. 

Em 1994, fui procurada por amigos da PGE/SP, entre eles a saudosa amiga Maura Roberti. Estavam decididos a lutar pela democratização da Advocacia Pública e necessitavam de um local para debater idéias sobre direitos humanos e Estado Democrático de Direito. O MPD cedeu sua sede social situada na Rua Tabatinguera, no centro de São Paulo, para as primeiras reuniões do grupo fundador do IBAP.  Até hoje, as associações-irmãs, AJD, MPD e IBAP caminham  juntas mantendo laços estreitos entre si. E eu fui premiada com a condição de sócia-honorária do IBAP, da qual me orgulho muito.

Logo no início de sua trajetória, o IBAP lançou, com a União de Mulheres de São Paulo, o Projeto das Promotoras Legais Populares –um projeto vitorioso de capacitação de lideranças populares feministas que ainda hoje persiste. Atendendo a convite do IBAP, o MPD e os amigos da ADJ contribuíam proferindo aulas às alunas. Mas o IBAP realizou – e realiza – outros produtivos eventos, tais como os congressos anuais, onde são expostas teses jurídicas ousadas e de cunho democrático. Participei de vários deles e tenho ótimas lembranças. Estudávamos temas novos, debatíamos, aprendíamos, mas sempre havia o tempo para confraternização ao som de boa música e cantando juntos.  É com alegria que, nesta data, parabenizo o IBAP pelos seus vinte anos de fundação. Oxalá continuem na batalha pela democratização das instituições jurídicas de nosso País. Há muito ainda a ser feito”.